O envelhecimento da população brasileira tem trazido à tona discussões importantes sobre a proteção dos idosos em diferentes esferas. Uma das pautas mais recentes — e que ainda causa controvérsia — é o chamado abandono digital.
Trata-se de uma situação em que os idosos são deixados à margem do mundo digital, seja pela negligência de familiares e cuidadores em incluí-los no uso da tecnologia, seja pela omissão em oferecer o apoio necessário para que tenham acesso a serviços básicos, como internet, banco digital, saúde online e outros.
Com o avanço da digitalização, especialmente após a pandemia, o ambiente virtual se tornou essencial para acesso a direitos, benefícios, comunicação e informação. No entanto, muitos idosos enfrentam exclusão e isolamento por falta de orientação, acesso ou paciência de quem deveria auxiliá-los.
Esse novo tipo de negligência já começa a ser debatido no Congresso Nacional como uma possível violação dos direitos da pessoa idosa, podendo vir a ser tipificado como crime no futuro. A proposta não é punir o desconhecimento, mas sim combater omissões sistemáticas que comprometem a dignidade, a saúde mental e a segurança desses indivíduos.
Mais do que um gesto de carinho, ensinar um idoso a usar a tecnologia pode ser um ato de cidadania. É dever da sociedade garantir que ninguém seja abandonado, nem no mundo físico, nem no digital.